ARTIGOS ESPÍRITAS

Estudos, comentários e assuntos referentes a doutrina espírita

3.8.10

93 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

 CAPÍTULO X: BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS


INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: “É PERMITIDO REPREENDER OS OUTROS?


NOTAR SUAS IMPERFEIÇÕES E DIVULGAR O MAL ALHEIO? ITENS 19 A 21

Este capítulo não estaria completo sem essas perguntas e respostas, visto que o homem em geral, estando mais próximo da animalidade do que da angelitude, como disse Emmanuel, não pode deixar de ver o mal, para que, observando e analisando as conseqüências, sinta a vontade de eliminá-lo, de si próprio e de toda a humanidade.

             No item 13 deste capítulo, Allan Kardec escrevendo sobre a frase de Jesus “Não julgueis para não serdes julgados”, disse que essa não deve ser tomada no seu sentido absoluto, visto que “a letra mata e o espírito vivifica”.

             Jesus não podia proibir de se reprovar o mal, pois, ele mesmo nos deu o exemplo disso, e o fez em termos enérgicos. Mas quis dizer que “a autoridade da censura está na razão da autoridade moral daquele que a pronuncia”, e que “A única autoridade legítima, aos olhos de Deus, é a que se apóia no bom exemplo”.

             Ao Espírito São Luís, Kardec fez três perguntas.

             1ª - Ninguém sendo perfeito, não se segue que ninguém tem o direito de repreender o próximo?

             “Certamente que não, pois cada um de vós deve trabalhar para o progresso de todos e, sobretudo, dos que estão sob a vossa tutela”.

             Por tudo que vimos nesses estudos, parece-me bem claro que o mal tem de ser visto, comentado, combatido, a fim de ser eliminado da mente e dos corações humanos, bem como da Terra.

             O que Jesus demonstra, com suas palavras e em todo o seu viver neste mundo, é que antes de tentar corrigir os erros dos outros, deve o homem corrigir, ou pelo menos, esforçar-se por corrigir os seus.

             Quem assim o faz, pode tentar esclarecer seus irmãos, com a intenção de auxiliá-los no seu desenvolvimento espiritual, com discrição, sem alarde, sem gerar escândalos, sem imposições, de forma a mostrar-lhe sua verdadeira intenção de ajudar.

Em assim fazendo, o outro não vai ter motivo para sentir-se humilhado, principalmente, porque percebe a boa intenção de seu crítico, que demonstra ser seu amigo.

             Jesus combate, sim, esse hábito desastroso de querer denegrir o outro, da exigência em relação ao comportamento alheio, querendo quem assim o faz, mostrar-se melhor do que é, sem falhas, superior aos demais, o que demonstra a maldade, o orgulho que existem ainda nos homens.

             Esclarece Jesus, que mesmo quando percebemos no outro uma falha, da qual ele pode libertar-se com nossa ajuda, devemos também incluirmo-nos na censura e no esforço de corrigi-la em nós.

             Desse modo, estaremos melhorando a nós e aos que nos rodeiam, contribuindo para o progresso geral.

             2ª - Será repreensível observar as imperfeições dos outros quando disso não possa resultar nenhum benefício para eles, e mesmo que não as divulguemos?

             S. Luís responde que depende da intenção. Se essa observação das falhas alheias for o aprendizado pessoal, para evitá-las em si, corrigindo-as se as tiver, só pode ser benéfica essa atitude.

             Aprende-se muito nas análises dos próprios erros, das suas conseqüências, tanto quanto fazendo o mesmo com os alheios.

             Jesus ensinou-nos a combater o mal fazendo o bem. Para isso, é preciso ver o mal onde ele existir, em nós e ao redor de nós. Não se pode combater o que não se vê ou não se percebe.

             “O erro está em fazer essa observação em prejuízo do próximo, desacreditando-o, sem necessidade, na opinião pública. Seria ainda repreensível fazê-la com um sentimento de malevolência e de satisfação por encontrar os outros em falta.”

             3ª - Há casos em que seja útil descobrir o mal alheio?

             A caridade bem compreendida deve sempre falar mais alto, na análise das conseqüências desse mal.

             Se as imperfeições de uma pessoa trouxerem prejuízos somente a ela, não existe nenhum motivo para divulgá-las.

             Pode-se tentar conversar com ela, sem imposição, com raciocínios claros, inspirados pelo amor, pela amizade, se ela o permitir.

             Mas comentar com outros, divulgar a quem quer que seja, é agir contra a caridade. O seu próprio viver vai lhe mostrando essas imperfeições e dando-lhe oportunidades de corrigir-se, quando ela quiser.

             Todavia, quando esse mal pode trazer prejuízos a outras pessoas, o interesse do maior número de prejudicados deve sobrepor-se ao interesse de um. Torna-se, então um dever a sua divulgação.

             “Conforme as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever, pois, é melhor que um homem caia, do que muitos serem enganados e se tornarem suas vítimas. Em semelhante caso, é necessário balancear as vantagens e os inconvenientes”.

             Essas perguntas e suas respostas mostram a importância do raciocínio e do conhecimento das leis morais para poder escolher as melhores soluções para as diversas situações.

             Para saber optar por essa ou aquela conduta, com acerto, sem provocar novos problemas, muitas vezes mais sérios, o conhecimento da moral divina, trazida por Jesus é, a meu ver, condição sine qua nom para fazer-se a escolha mais correta, a que possa resolver, sem causar danos maiores a ninguém.

             Sempre em dúvida, apelar para a caridade bem compreendida, pesando as vantagens e os inconvenientes para os envolvidos.

  Bibliografia:

KARDEC, Allan - “O Evangelho Segundo o Espiritismo”

 Leda de Almeida Rezende Ebner

Março / 2009 

criado por julionatal    7:35 — Arquivado em: EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO

23.7.10

92 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – ALLAN KARDEC

 CAPÍTULO X: BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS


INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: A INDULGÊNCIA- ITEM 18

Dufétre, bispo de Nevers, do qual não encontramos referências, traz a terceira e última mensagem deste capítulo, sobre a indulgência, iniciando-a com a mesma recomendação das duas anteriores: “sede severos para vós mesmos e indulgentes para as fraquezas alheias.”

             A insistência do conselho nos mostra a importância da prática dessa ação em nossas vidas, neste planeta de expiações e de provas, como condição sine-qua-non de nossa evolução espiritual, de nossa paz interna e externa.

             Para que possamos conseguir vivenciar no cotidiano essa recomendação, parece-me, indispensável, a aceitação de que somos todos iguais em potencialidades, desde a nossa criação, e que estamos todos fazendo nossa caminhada evolutiva para atingir a perfeição e a felicidade. Para isso há necessidade da aceitação da continuidade da vida do Espírito.

             Essa certeza acaba com o orgulho e o egoísmo, desenvolve a humildade, que leva o homem a sentir-se igual ao outro, nem superior, nem inferior, tornando-o indulgente para as fraquezas alheias, e exigente consigo, porque compreende o que pode exigir de si mesmo.

             Enquanto os homens viverem com a idéia de uma vida única, vivendo-a guiados pelo orgulho e egoísmo, não vendo senão seus próprios interesses, julgando-se mais merecedores do que os outros, as lutas entre pessoas e entre nações continuarão trazendo dores e sofrimentos, além de atrasar o progresso geral.

             O autor dessa mensagem escreve que seguir a recomendação acima é fazer “a santa caridade”, visto que todos nós, os habitantes da Terra, encarnados e desencarnados, temos “más tendências a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar”. Temos um fardo mais ou menos pesado para alijar, ou seja, para livrarmo-nos, para retirar de nós, a fim de que possamos atingir o “cume da montanha do progresso”.

             Por que, então, enxergarmos com tanta clareza as falhas alheias, sendo tão cegos com as nossas? Por que faltar com essa caridade?

             “O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, e consiste em não se verem superficialmente os defeitos alheios, mas em procurar destacar o que há de bom e virtuoso no próximo. Porque, se o coração humano é um abismo de corrupção, existem sempre, nos seus mais ocultos refolhos, os germes de alguns bons sentimentos, centelhas ardentes da essência espiritual”.

             Escreve sobre o espiritismo, considerando felizes os que o conhecem e põem em prática seus claros ensinos, que lhes ensinam que a caridade em relação ao próximo tem de ser praticada como para si mesmo.

             “Caridade para com todos e amor a Deus sobre todas as coisas, porque o amor a Deus resume todos os deveres, e porque é impossível amar a Deus sem praticar a caridade, da qual Ele fez uma lei para todas as criaturas”.

             Enquanto não nos libertarmos do hábito de destacar as imperfeições alheias, por muito que façamos em atividades de beneficência, não estamos sendo caridosos, estamos amparando necessitados, mas não estamos aproveitando essas atividades para nossa transformação moral, visto que estamos sendo malévolos para com nossos irmãos e orgulhosos em não vermos ou camuflarmos as nossas próprias mazelas.

 

Bibliografia:

“KARDEC, Allan - ”O Evangelho Segundo o Espiritismo”

 

Leda de Almeida Rezende Ebner

Fevereiro / 2009 

criado por julionatal    6:55 — Arquivado em: DOUTRINA ESPÍRITA, EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO

19.7.10

 LIVRO: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA”

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel
 
SALVAR-SE
 
"Palavra fiel é esta e digna de toda a aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores…¨ - Paulo. (I Timóteo, 1:15.)
          Esta epístola a Timóteo foi escrita na Macedônia; é a primeira das chamadas Pastorais - duas a Timóteo e uma a Tito - porque se destinam a pastores de almas. Nela o apóstolo orienta Timóteo sobre suas obrigações.
         Falando da própria conversão e da eficácia do Evangelho em sua vida, lembra do objetivo da vinda de Jesus ao Planeta: "Palavra fiel é esta e digna de toda a aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores… ¨ - Paulo. (I Timóteo, 1:15.)
          A afirmativa apostólica merece cuidadosa ponderação uma vez que, a inferioridade humana, de modo geral, só interpreta a palavra “salvação” por benefício, por vantagem imediata.
          Assim como no versículo em estudo, outros trechos do Velho e do Novo Testamento afirmam que Jesus veio ao mundo a fim de imolar-se pelos nossos pecados.
Porque as iniqüidades deles levará sobre si. (Isaias, 53:11) 
Cristo morreu por nossos pecados, segundo as escrituras. (I Cor. 15:3) 
O qual se deu a si mesmo por nossos pecados para nos livrar do presente século mau. (Gálatas, 1:4) 
Havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados. (Hebreus, 1:3) 
Assim também Cristo oferecendo-se uma vez para tirar o pecado de muitos (Hebreus, 9:28 
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. (João, 1:29) 
          A interpretação apressada e superficial dessas assertivas tem conduzido a muitos equívocos, o que levou P. A. Godoy refletir que: “Caso tivesse Jesus sido investido da prerrogativa de salvar os homens de seus pecados, duas situações teriam ocorrido: a humanidade teria ficado livre de todos os males, uma vez que a maior parte deles é herança do pecado e as religiões não poderiam falar mais em pecado original, uma vez que o Cristo teria removido dos ombros dos homens esse tremendo fardo (…)”.
          Corroborando com esses raciocínios, Hermínio C. Miranda questiona, referindo-se em especial aos textos do apóstolo Paulo, que se assim fosse porque ele insiste na prática das boas obras, no procedimento correto, na caridade, no amor ao próximo? “Se Cristo nos salvou para sempre com sua dor, nada disso faz sentido e o que seria simplesmente inaceitável, primeiro porque o inocente não é destinado a assumir a responsabilidade pela falta alheia, lavando-lhe a mancha do erro. Onde ficaria o preceito de que a cada um (é dado) segundo suas obras? Que mérito ou necessidade teriam as obras ou a fé se estivéssemos já resgatado pelo sofrimento do Cristo? E que sentido teria o próprio pecado, como falta pessoal, se alguém acaba resgatando-o por nós?¨.
          Pondera Emmanuel que “após a passagem do Mestre no mundo, a fisionomia íntima dos homens, (…) era a mesma do tempo que lhe antecedera (…)”:
Os romanos mantinham-se na conquista do poder;
Os judeus permaneciam algemados a racismo infeliz;
Os egípcios desciam à decadência;
Os gregos demoravam-se sorridentes e impassíveis, em sua filosofia recamada de dúvidas e prazeres;
Os senhores continuavam senhores, os escravos prosseguiam escravos… 
          “Todavia o espírito humano sofrera profundas alterações”.
          As palavras e os exemplos do Mestre “acordavam para a verdadeira fraternidade, e a redenção, (…) começava a clarear os obscuros caminhos da Terra, renovando o semblante moral dos povos…”
          “Jesus Cristo não veio como Salvador”, para tomar sobre si os pecados da Humanidade. Ele veio na condição de Redentor da Humanidade. Veio ensinar o caminho da libertação espiritual, pelo conhecimento da verdade, no esforço pessoal de melhoria íntima, na vivência dos preceitos evangélicos.
          Isto não se realiza de forma miraculosa mas gradativamente no curso eterno da vida, ou seja, “Deus nos concede todos os recursos para realizarmos em nós o trabalho da redenção espiritual que acabou ficando com o rótulo inadequado de salvação; não, porém, realizando-a por nós e sim conosco. Possibilidades e potencialidades são colocadas a nossa disposição, mas o trabalho é pessoal, intransferível”.
          Jesus trouxe-nos a Verdade, ensinamentos que cabe a cada um dinamizar, “fazer a sua parte, entrar na posse dessa verdade, dessa luz que ilumina a mente, consolida o caráter e aperfeiçoa os sentimentos”. Cada um há que agir, lutar, realizar, sem o que a redenção não acontece. “Ninguém tem poder para salvar pecadores de forma indiscriminada”. Estes devem resgatar suas infrações às leis divinas através do conhecimento da verdade, da iluminação íntima, vivendo os ensinamentos evangélicos.
          Eis porque Emmanuel, no texto em estudo, usa o termo salvar-se reconhecendo que “salvar não significa arrebatar os filhos de Deus à lama da Terra para que fulgure, de imediato, entre os anjos do Céu”.
          Salvar-se é educar-se. Não é o batismo, a filiação a qualquer escola religiosa, a observância de rituais e práticas exteriores que redimem o Espírito mas, “o trabalho, longo e porfiado, de auto-educação” nas vidas físicas e fora delas.
          “A sentença de Jesus: a cada um será dado segundo suas obras, (…), reflete a extensão do amor que Deus dispensa a todos (…), anulando qualquer idéia de que um Espírito possa elevar-se aos paramos sublimados da Espiritualidade, por caminhos dúbios, sem o esforço em favor do aprimoramento próprio”. 
Bibliografia:
Xavier, Francisco Cândido. "Palavras de Vida Eterna: Salvar-se". Ditado pelo Espírito Emmanuel. 17a ed. Uberaba - MG - CEC. 1992.
Godoy, Paulo Alves. "Casos Controvertidos do Evangelho: Redenção ou Salvação - Pela Graça ou Pelas Obras?” SP - FEESP. 1993.
Godoy, Paulo Alves. "Crônicas Evangélicas: Salvador ou Redentor?". 3a ed. São Paulo - SP - FEESP. 1990. 
Miranda, Hermínio Correa. “Cristianismo: A Mensagem Esquecida: Salvação”. Matão - SP - Casa Editora O Clarim. 1988. 
 
Iracema Linhares Giorgini 
Agosto / 2005
 
Citações bíblicas
 
I TIMÓTEO 1
15 Fiel é esta palavra e digna de toda a aceitação; que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o principal;
 
ISAÍAS 53
11 Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si.
 
I Corintios
3 Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;
 
GÁLATAS 1
4 o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de nosso Deus e Pai,
 
HEBREUS 1
3 sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo ele mesmo feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas,
 
HEBREUS 9
28 assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.
 
JOÃO 1
29 No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
 
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91 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

 CAPÍTULO X: BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS


INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: A INDULGÊNCIA – ITEM 17

 “Sede indulgentes para as faltas alheias, quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações, e o Senhor usará de indulgência para convosco, como usastes para com os outros.”

Assim inicia sua mensagem João, bispo de Bordeaux.

Novamente, a mesma recomendação da mensagem anterior, levando-nos à importância do entendimento de que, perante Deus e suas leis, somos todos iguais e nossa conduta em relação aos outros determina a maneira como essas leis serão aplicadas a nós.

Na prece do Pai Nosso que milhões e milhões de pessoas dizem, diariamente, na frase: “Perdoai-nos, Senhor, assim como perdoamos aos nossos devedores”, está-se assumindo, com Deus, o compromisso do esforço de perdoar aos que ofendem, mas, poucos se dão conta de que esse compromisso, não é o do pensamento ou da palavra, mas sim o da ação.

No exercício de sermos severos para com nossas falhas, estamos exigindo de nós o que devemos e podemos fazer, pois se já somos capazes de perceber nossos erros, já temos evolução suficiente para evitá-los.

O contrário se dá, quando julgamos o outro, do qual nada sabemos, por mais que o conheçamos. Não sabemos das suas experiências anteriores, dos seus sonhos, das suas angústias, frustrações e sofrimentos, das suas necessidades, dos motivos que o levam a agir dessa ou de outra forma. 

Para julgar alguém precisaríamos conhecê-lo como nos conhecemos.

Daí a necessidade de sermos severos para conosco e indulgentes para com os outros, se queremos ter paz interior, evitando maiores sofrimentos para nós mesmos.

Perdoar não é só o esquecimento das faltas, pois se as leis divinas se esquecerem das faltas, esquecerão também das conseqüências das ações boas, dos méritos. Sendo as leis divinas sábias e justas, nada pode ser simplesmente apagado, esquecido.

 O perdão de Deus não pode suspender as conseqüências de suas leis, visto que Ele, AMOR e SABEDORIA, não iria infringi-las.

  Quando pedimos perdão a Deus por nossas faltas, estamos ou deveríamos estar pedindo que Ele nos faculte os meios de repará-las da melhor maneira possível. Que Ele nos dê forças para não recairmos nos mesmos erros, proteção para libertarmo-nos das imperfeições que lhes dão origem e auxílio para entrarmos nesse novo caminho de arrependimento, de reparação, de submissão e de amor.

   Assim, devemos perdoar aos que nos ofendem. Esquecer as ações ofensivas, mas ir além, procurar ter para com ele pensamentos e sentimentos bons, fazendo por ele o que faríamos para com um amigo, assim como queremos que Deus faça conosco.

    Esse é o perdão que vem do coração esclarecido pela razão. É o amor em ação, é a caridade ativa e infatigável!

    “Substituí a cólera que mancha, pelo amor que purifica. Pregai pelo exemplo essa caridade ativa, infatigável, que Jesus ensinou. Pregai-a como ele mesmo o fez por todo o tempo em que viveu na Terra, visível para os olhos de corpo, e como ainda prega sem cessar, depois que se fez visível apenas para os olhos do Espírito. Segui esse divino modelo, marchai sobre as suas pegadas: elas vos conduzirão ao refúgio onde encontrareis o descanso após a luta. Como ele, tomai a vossa cruz e subi, penosamente, mas corajosamente, o vosso calvário: no seu cume está a glorificação.” 

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan -“ O Evangelho Segundo o Espiritismo”

 

Leda de Almeida Rezende Ebner
Janeiro / 2009

criado por julionatal    5:41 — Arquivado em: DOUTRINA ESPÍRITA, EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO — Tags:

13.7.10

90 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

 CAPÍTULO X: BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS


INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: A INDULGÊNCIA – ITEM 16

“Espíritas, queremos hoje falar-vos da indulgência, esse sentimento tão doce, tão fraternal, que todo homem deve ter para com seus irmãos, mas que tão poucos praticam.”

 Com essas palavras, inicia José, Espírito Protetor, sua sublime mensagem sobre a indulgência, sentimento que leva o homem a perdoar culpas, usar de clemência, ter misericórdia, ser tolerantes com as atitudes que lhe pareçam estranhas ou são negativas.

 Seu antônimo é a malevolência, que leva a perceber as falhas alheias, criticá-las e comentá-las.

  “A indulgência não vê os defeitos alheios, ou se os vê evita comentá-los e divulgá-los. Oculta-os, pelo contrário, evitando que se propaguem, e se a malevolência os descobre, tem sempre uma desculpa à mão para os disfarçar, mas uma desculpa plausível, séria, e não daquelas que, fingindo atenuar a falta, a fazem ressaltar com pérfida astúcia.”

   Quem lê essas palavras, penetrando-lhes no seu profundo significado, vai esforçar-se para vivenciá-las. Vai falhar muitas vezes, vai pegar-se, em flagrante, na malevolência, outras muitas vezes, porque muito mais difícil do que adquirir um hábito novo é perder hábitos antigos, e comentar falhas e erros alheios é um hábito muito arraigado no Espírito humano, que aparece sempre nas conversas entre pessoas, um mau hábito social, como se fora algo sem importância, inocente.

    Como o homem aprende e fixa o aprendizado pelo exercício, quanto mais pratica o hábito da malevolência, da maledicência, mais se distancia da indulgência.

     Sentir indulgência para com os outros, procurando não destacar seus defeitos, mas exaltar suas boas qualidades é uma excelente atitude para estimular o outro a querer ser melhor do que é, sem que se sinta ferido no seu orgulho. 

    Todos nós poderíamos evoluir com menos dores e sofrimentos, se eliminássemos esse mau hábito de ver, apontar, criticar, comentar os erros alheios, principalmente, na ausência dos mesmos, como se não errássemos nunca; se fôssemos mais indulgentes com os outros e mais severos conosco; se buscássemos entender as dificuldades alheias tanto quanto enxergamos as nossas; se ao percebermos uma falha em alguém, procurássemos evitá-la em nós ao invés de a ressaltarmos no outro; se tentássemos auxiliar o que erra, com benevolência, com discrição, com humildade.

       Quantas situações de grandes dores são criadas com esse hábito horrível de destacarmos, com malevolência, os defeitos alheios!

       Mas se houver perseverança e vontade nesse esforço, um dia iremos conseguir ser indulgentes para com os erros dos outros, como queremos que os outros o sejam para com os nossos erros.

       “Ó homens! Quando passareis a julgar os vossos próprios atos sem vos ocupardes do que fazem os vossos irmãos? Quando fitareis os vossos olhos severos somente sobre vós mesmos?

        “Sede, pois, severos convosco e indulgentes para com os outros”.

         No Livro da Esperança, Emmanuel, no capítulo 27, destaca que Deus “espera as criaturas, no transcurso do tempo, tolerando-lhes as faltas, e encorajando-lhes as esperanças, embora lhes corrija todos os erros, através de leis eficientes e claras”.

         Diz que se toda obra de bem, exige responsabilidade e disciplina, dentre outras coisas, “é imperioso considerar que toda boa obra roga auxílio, a fim de aperfeiçoar-se”.

          Daí a necessidade de se compreender que “o bem exigido pela força da violência, gera males inúmeros em torno, e desaparece da área luminosa do bem para converter-se no mal maior”.

           Estudemos bem essa mensagem de José, Espírito Protetor, tão atual, como se ela fosse escrita hoje, para nós, e reflitamos bastante na frase final: “Sede indulgentes, meus amigos, porque a indulgência atrai, acalma, corrige, enquanto o rigor desalenta, afasta e irrita”.

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan -“ O Evangelho Segundo o Espiritismo”

 

Leda de Almeida Rezende Ebner

Dezembro / 2008

criado por julionatal    7:45 — Arquivado em: DOUTRINA ESPÍRITA, EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO

9.7.10

89 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

  – ALLAN KARDEC

CAPÍTULO X: BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS


INSTRUÇÃO DOS ESPÍRITOS: PERDÃO DAS OFENSAS, ITEM 14

O autor da mensagem, datada de 1862, assinou Simeon, sobre o qual não encontrei referências. Mas, pela sublimidade de suas palavras, poderia ser – não estou afirmando, peço apenas licença para divagar um pouco - “Simeão, homem justo e piedoso, que ao tomar o menino Jesus nos braços, no templo, disse: ‘ Agora, Senhor despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos… ’, conforme Lucas, II: 28 a 31.

             Simeon inicia dizendo que o ensino de Jesus sobre perdoar o irmão setenta vezes sete vezes é um dos que “devem calar em vossa inteligência e falar bem alto ao coração.”

             Ensina, pois, que o homem, para agir, acertadamente, de acordo com as leis do bem, deve usar de raciocínios para compreender e entender a necessidade dos ensinos de Jesus, na Terra, moradia de espíritos em evolução.

             Esses ensinos devem calar, penetrar fundo, ou seja, “atingir ou alcançar o âmago, a essência de (algo) ou o íntimo de (alguém), produzindo impressão forte, profunda”.(1)

             A palavra calar, vinda do grego khaláõ, que significa, soltar, relaxar, chegou ao português e ao espanhol, como penetrar, descer, abaixar, mergulhar (1)

Devem também “falar bem alto ao coração” ou seja, ser captado pela sensibilidade espiritual, para que, juntamente com o uso da inteligência possam ser sentidos, percebidos, compreendidos, aceitos, despertando a vontade de praticá-los.

             Todos os dias, milhões e milhões de pessoas oram a Prece do Pai Nosso ensinada por Jesus, sem prestar muita atenção na frase: “Perdoai as nossas dívidas assim como perdoamos os nossos devedores”, na qual está condicionada, ao perdão de Deus às nossas faltas, o nosso perdão às faltas dos outros.

E continuam, pela vida toda a dizê-la sem, pelo menos, tentar colocar em prática essa lei divina, que é básica para a paz e felicidade do homem e da humanidade.

             Quem perdoa, está vivenciando o esquecimento de si mesmo, o que o torna invulnerável às agressões, aos maus tratos e às injúrias, porque não os recolhe ao coração, porque busca, pelo raciocínio, compreender as dificuldades alheias, não se sentindo, pois, ofendido.

             Evidentemente, que só na prática perseverante de perdoar o mais possível, esse ideal será atingido e o que perdoa irá se tornando uma pessoa doce e humilde de coração, fazendo aos outros o que deseja que Deus faça por ela.

             “Ouvi, pois, essa resposta de Jesus, e como Pedro aplicai-a a vós mesmos. Perdoai, usai a indulgência, sede caridosos, generosos, e até mesmo, pródigos no vosso amor. Dai, porque o Senhor vos dará; abaixai-vos, que o Senhor vos levantará; humilhai-vos, que o Senhor vos fará sentar à Sua direita.

             Ide, meus bem-amados, estudai e comentai essas palavras que vos dirijo, da parte d”Aquele que, do alto dos esplendores celestes, tem sempre os olhos voltados para vós, e, continua com amor a tarefa ingrata que começou há dezoito séculos. Perdoai, pois, aos vossos irmãos, como tendes necessidade de serdes perdoados.”

             Conclama os espíritas a não tornar, em palavras e em atos, o perdão, uma expressão vazia.

             “Se vos dizeis espíritas, sede-o de fato: esquecei o mal que vos tenham feito e pensai apenas uma coisa: no bem, no bem que possais fazer. Aquele que entrou nesse caminho não deve afastar-se dele, nem mesmo em pensamento…”

O espiritismo nos ensina que somos todos responsáveis por tudo que fazemos. Para fazermos algo, essa ação ou ato existiu antes, na idéia, e essa surgiu do que se sentiu diante de alguma coisa.

             Um sentimento de mágoa ou de rancor leva o ser a pensamentos rancorosos, que por sua vez, podem levar a um ato de ofensa, de vingança.

             Daí a chamada de Simeon quanto à responsabilidade do espírita no esforço de esquecer o mal, pensar somente no bem que pode fazer, não dando lugar a pensamentos maus, a fim de poder sentir-se feliz, conforme suas palavras: “Feliz aquele que pode dizer cada noite, ao dormir: nada tenho contra o meu próximo.”

Bibliografia:

KARDEC, Allan -“ O Evangelho Segundo o Espiritismo”

1 – Dicionário Houaiss

 Leda de Almeida Rezende Ebner

 

Outubro / 2008

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